Sugestões para o Halloween 2019.

Sugestões para o Halloween 2019.

Mais uma vez, trago-vos algumas sugestões de filmes para o Halloween, depois de ter falhado o ano passado. À semelhança de 2017, todas as sug. [...]

10 Anos / 20 Escolhas #10 – 2018.

10 Anos / 20 Escolhas #10 – 2018.

Para terminar a iniciativa de comemoração do 10º aniversário do laxanteCULTURAL, temos o amável contributo da Rita Santos, a.k.a. FilmPuff,. [...]

Fantasporto 2019 – Vencedores e horários das sessões dos filmes premiados.

Fantasporto 2019 – Vencedores e horários das sessões dos filmes premiados.

Termina hoje a 39ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto, com a exibição dos filmes premiados. Fiquem com a . [...]

“The Haunting Of Hill House” – A obra-prima de Mike Flanagan.

“The Haunting Of Hill House” – A obra-prima de Mike Flanagan.

Toda a gente que costuma ler as minhas sugestões para o Halloween sabe que sou um grande fã do Mike Flanagan desde “Oculus“, de 2013. J. [...]

A Floresta Das Almas Perdidas – Terror Luso, Melancólico e Poético.

A Floresta Das Almas Perdidas – Terror Luso, Melancólico e Poético.

Há alguns anos que conheço e acompanho o trabalho do José Pedro Lopes e do Anexo 82. Com uma interessante colecção de curtas-metragens no . [...]

10 Anos / 20 Escolhas #5 – 2013.

em: 2019/04/05 | por: | em: Cinema, Crítica, Iniciativa | Sem comentários em 10 Anos / 20 Escolhas #5 – 2013. | lido: 1.886 vezes

O 5º convidado para a iniciativa de aniversário do laxanteCULTURAL é o João Bizarro, do Cantinho Das Artes. Não o conheço pessoalmente, mas o João é das pessoas com quem mais discuto séries e filmes no facebook. Também é dos que mais sugestões me vai dando, e vice-versa. Sempre que vemos algo novo de que gostamos muito, há sempre aquela mensagem: ‘já viste isto?’ ou ‘tens mesmo de ver isto’. E essa é também a razão principal para qualquer um de nós criar um blog, podermos falar do que gostarmos, darmos a nossa opinião, darmos sugestões, partilharmos entusiasmo e ouvir feedback. Claro que agora isto tudo é feito através das redes sociais, e os blogs têm um papel secundário, mas o carácter permanente do blog contrasta com a forma efémera com que o facebook trata a nossa actividade cultural, e, neste caso, a nossa amizade. O João continua a actividade do Cantinho (menos frequente, como a minha), e (à parte das preferências clubísticas) é das pessoas em cujo gosto eu mais confio (apesar de discordarmos algumas vezes), e que vai servindo também de bússola para o que ver a seguir. Obrigado João, por o fazeres também nesta iniciativa.

A escolha do João Bizarro – “Jagten” de Thomas Vinterberg.

Jagten - Poster

Depois de um divórcio complicado, a sorte de Lucas (Mads Mikkelsen) parece estar a mudar. Uma namorada nova, um novo trabalho e está aplicar-se a reconstruir a sua relação com Marcus, o filho adolescente. Contudo, uma mentira impiedosa que se espalha por toda a comunidade vai mudar o curso da sua vida. A desconfiança abate-se sobre os que vivem na pequena vila dinamarquesa e, perseguido por todos para onde quer que vá, Lucas vai ter de encontrar maneira de provar que não é a pessoa que todos julgam que é.

Jagten 01

Os argumentistas Tobias Lindholm e Thomas Vinterberg (que também realiza) abordam um tema dificil e ao invés de o sensacionalizar, tratam-no de forma cuidadosa e sensivel, dando enfase ao drama pessoal e à tensão entre os protagonistas, como aliás tinha acontecido no filme de Vinterberg para o movimento Dogma 95, “Festen“.

Jagten 02

As personagens são bem desenvolvidas, mesmo as que têm papeis mais leves e o filme leva o espectador a tomar vários partidos, embora o foco esteja sempre centrado em Lucas e naquilo que possa ou não ter feito. A realização de Vinterberg ajuda a isto que referi em cima, muitos close-ups, essencialmente focados nos olhos, auxilados por planos longos que ajudam a enfatizar o isolamento de Lucas.

Jagten 03

Mads Mikkelsen tem uma das melhores interpretações que já lhe vi. Sublime.

Jagten 04

Um dos melhores filmes dos ultimos tempos, que aborda um tema muito actual, principalmente depois do que se está a passar no mundo do cinema, com a questão dos assédios e a histeria que se instalou a partir daí.

A minha escolha – “Before Midnight” de Richard Linklater.

Before Midnight - Poster

2013 foi mais um ano complicado para escolher apenas um filme. Qualquer um do meu top daria um texto prazeroso de escrever, principalmente os três primeiros. O Bizarro escreveu sobre o meu número dois, pelo que a minha escolha óbvia é o primeiro, “Before Midnight” do Richard Linklater. E é óbvia por várias razões, quem já visitou a página do laxanteCULTURAL no facebook, já reparou que a imagem de capa é precisamente desde filme, praticamente desde que o vi. E porque é o terceiro capítulo de uma saga que me diz muito. Estou na mesma faixa etária do que os actores e os personagens a que dão vida, portanto fui vivendo as mesmas experiências à medida que os filmes iam saindo, identificando-me completamente com eles, com as suas situações e estados de espírito.

Before Midnight 01

Para quem não conhece, esta maravilhosa trilogia é composta por “Before Sunrise” (1995), “Before Sunset” (2004) e este “Before Midnight” (2013). Isto quer dizer que o próximo sairá em 2022 (fingers crossed), e eu estou em pulgas. Aliás, faço daqui um apelo ao realizador e aos actores (os três argumentistas dos dois últimos filmes), para que, se já souberem a estória, me digam, para eu saber como estará a minha vida daqui a três anos. No primeiro filme, o americano Jesse vai de combóio para Viena, e conhece a francesa Celine. Convence-a a sair com ele em Viena, visto que ele vai passar a noite a deambular pela cidade, antes de apanhar o vôo para a América na manhã seguinte, altura em que ela poderá continuar a sua viagem. No segundo filme, Jesse está em Paris a apresentar o seu livro, baseado numa noite de paixão que viveu em Viena, e Celine entra na livraria. Quando termina, dá um passeio com ela pela cidade, onde põem a conversa e a relação em dia. No terceiro, Jesse e celine são casados, têm duas filhas e estão a passar férias com amigos na Grécia, quando fazem um ponto de situação da sua relação.

Before Midnight 02

Se o primeiro filme era uma comédia romantica com dois adolescentes, com um final em aberto, a série vai ficando mais negra à medida que vai ficando mais adulta e madura, fruto das circunstâncias da própria vida. Com intervalos de 9 anos entre cada filme, isto é o registo de uma relação, com os altos e baixos próprios de um envolvimento romântico que se prolonga no tempo. Tem a particularidade de, em nenhum dos filmes, haver um final concreto, deixando em suspenso a continuação da estória, que é actualizada no começo do filme seguinte, deixando o espectador em suspense durante 9 anos. Mas isso só acontece porque a estória e os personagens são relacionáveis, mesmo que não tenhamos a idade aproximada dos protagonistas, já vivemos, estamos a viver ou viveremos aquilo porque eles estão a passar.

Before Midnight 03

A realização de Linklater, principalmente nos dois últimos filmes (uma vez que no primeiro ainda não havia noção do que isto iria ser), é perfeitamente pragmática. A sua câmara é invisível, a sua gestão de tempo é primordiosa, a sua noção do espaço, mesmo quando se circula por uma cidade, é meticulosa. Este é aliás um dos pontos fortes da saga, a forma como percorremos Viena ou Paris com a naturalidade de quem está em casa, sem que tudo pareça um postal ou um video de promoção ao turismo. Aliás, a melhor homenagem que Linklater faz a estas cidades, é injectar-lhes vida nos espaços livres, dar-lhes corpo e personalidade. Mais do que mostrar a torre Eiffel, Linklater mostra-nos as casas parisienses, com os seus páteos interiores onde os vizinhos vivem em comunidade. Isto resulta em autenticidade, e torna a narrativa simultâneamente mais consistente e apelativa.

Before Midnight 04

Ethan Hawke e Julie Delpy são o par protagonista, e é um prazer vê-los crescer com estes personagens, a quem emprestaram a autenticidade das suas próprias vidas e das suas experiências pessoais. O alcance das suas interpretações ao longo dos três filmes é assombroso, indo do riso ao choro, do drama à comédia, do romantismo ao antagonismo, às vezes dentro do próprio filme. Mas é isso mesmo que é a vida, e é essa correspondência, não só nas variações de estado de espírito, mas da alteração das próprias circunstâncias da vida, da vivência inerente às nossas escolhas e ao assumir dos nossos erros, que torna tudo isto muito mais próximo do espectador, criando empatia com os personagens e partilhando da sua história. E isso só acontece por causa da adequada entrega deses fantásticos actores.

Before Midnight 05

Este terceiro filme em concreto, porque é ele que motiva este texto, é o mais duro, o mais brutal (não no sentido cool que a malta nova dá agora ao termo, mas  com o significado que ele sempre teve). Provavelmente porque se sente o peso do tempo, na idade dos protagonistas, na forma como eles encaram as pequenas agruras do dia-a-dia, no optimismo de Jesse e no desencanto de Celine. É também o mais claustrofóbico, apesar de grande parte dele se passar ao ar livre, porque o espaço do filme é a relação dos dois. Nota-se esse peso, essa inevitabilidade de um relacionamento a prazo, pelo qual é preciso lutar. E nós queremos lutar por ele, com eles. Mais uma vez, o final fica em aberto, precisamente pelo optimismo e espírito de luta de Jesse, mas sentimos a falta de esperança dos finais anteriores, e tememos, por eles e por nós. E é por isso que este é um poema em aberto, a que cada filme acrescenta uma quadra ou um terceto. Talvez daqui a 3 anos saberemnos como termina (ou recomeça)…

Classificação: 5/5

Deixe um comentário