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As Incríveis Aventuras de Filipe Melo, Dog Mendonça e Pizzaboy.

em: 2010/04/06 | por: | em: Arte, Cinema, Crítica, Escrita, Literatura, Música, Televisão | 8 comentários em As Incríveis Aventuras de Filipe Melo, Dog Mendonça e Pizzaboy. | lido: 8.055 vezes

Para falar d’ “As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy” convém contextualizar. E contextualizar é falar de Filipe Melo e da sua produtora “O Pato Profissional“. E a história do Filipe é ela própria uma incrível aventura.

Pode-se dizer que tudo começa em 1992, quando o Filipe foi um dos primeiros hackers informáticos a ser apanhado pela Polícia Judiciária em Portugal. Privado do computador, volta-se para o piano da sala e aí nasce uma paixão que o faz tornar-se pianista de jazz. É essa a sua profissão actualmente, além de dar aulas na escola de Jazz do Hotclube de Portugal e no conservatório do Funchal. Aqui está um vídeo que a documenta, curiosamente gravado num concerto na minha cidade natal, Angra do Heroísmo.

Mas, como qualquer pessoa que cresceu nos 80, há uma outra paixão. Nessa década aconteceu o renascimento dos filmes de terror e aventuras, com novas formas de contar estórias e um recurso à imaginação que quebrava fronteiras e desbravava novos terrenos. O movimento começado por Spielberg e Lucas nos anos 70, tinha agora novos seguidores: Robert Zemeckis, John LandisJoe Dante, Wes Craven e John Carpenter, só para citar alguns. O grande fascínio por estes novos realizadores era a forma como davam importância às estórias e as aproximavam do espectador. Paralelamente, o aprimoramento de meios que lhes permitia resultados mais realistas e cativantes, permitiu-lhes também atingir maiores audiências. Esta popularização do cinema (com padrões de qualidade que actualmente são mais raros), cativaram e marcaram milhões de jovens no mundo inteiro. Filipe Melo foi um deles. Essa paixão (e alguma loucura e persistência) levou-o a escrever e produzir o primeiro filme de Zombies Português, “I’ll See You In My Dreams“, e o vídeo dos Moonspell com o mesmo título.

O sucesso do projecto, levou-o a fundar, com Paula Diogo, a produtora “O Pato Profissional”, para desenvolver e concretizar projectos audiovisuais. Entretanto, Filipe é co-director e webdesigner da campanha de Manuel João Vieira na sua candidatura à Presidência da Republica. Desta ‘parceria’ surge o próximo projecto da “O Pato Profissional”: A biografia ficcionada de Manuel João, numa mini-série de 6 episódios intitulada “Um Mundo Catita“. Escrita e rodada sem o apoio ou intenção de exibição de nenhum canal televisivo, seria mais tarde comprada e exibida pela RTP2.

Aqui, estão já muitas referências ao imaginário cinematográfico de Filipe Melo. Com uma loucura própria do protagonista, sequências como o jogo de xadrez com a morte (a evocar “O Sétimo Selo” de Ingmar Bergman) trouxeram uma inteligência e frescura ao panorama audiovisual português. Nesta altura, já muitos curiosos e entusiasmados fãs (eu incluído) esperavam ansiosamente o próximo projecto. Quando surgiu na Internet o website de “As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy”, o entusiasmo foi mais que muito. Um filme de aventuras no género fantástico, a homenagear títulos como “The Goonies“, “Regresso Ao Futuro” ou “As Aventuras de Jack Burton Nas Garras do Mandarim“, com nomes como Nicolau Breyner ou João Didelet no elenco, parecia bom demais para ser verdade. E foi. Apesar de ter ganho um subsídio para escrita do guião, e as primeiras imagens serem entusiasmantes, rapidamente o projecto de tornou demasiado caro para um filme português. Mas Filipe Melo não desistiu, e assim nasce a novela gráfica que é (acreditem ou não) o objecto deste texto.

Para não me alongar nas explicações sobre quem fez o quê, e qual a estória deste fantástico livro, vejam o making-of (sim, há um making-of), e já me debruço sobre o resultado final.

“As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy” é um objecto fascinante, e uma bem conseguida homenagem a todos os filmes que crescemos a ver nos anos 80. Para mim, foi difícil encarar o objecto como um mero livro, tal é a espantosa aproximação  ao universo criativo dos filmes já citados. A abordagem à estória (que têm uma estrutura clássica de três partes) é incrivelmente cinematográfica, não só anos 80, mas também um piscar de olho ao grande Alfred Hitchcock. Uma pessoa normal, neste caso um adolescente entregador de pizzas, vê-se de repente no meio de uma trama densa, tendo de se empenhar para resolver um grande mistério e sobreviver a uma grande aventura.

O universo fantástico que caracteriza a estória é povoado por criaturas marginais que povoam o nosso imaginário (mais, ou menos culto), incluindo muitos cameos como os de Bruno Aleixo ou os Moonspell, que podem ver na imagem acima. Vampiros, lobisomens, gárgulas, zombies, nazis, etc., tornam este livro um divertimento pouco comum na banda-desenhada de origem portuguesa.

Graficamente, Melo teve a sorte (e/ou o engenho) de se aliar a nomes de peso. O trabalho de Juan Cavia nos desenhos e Santiago Villa na cor são de uma riqueza e perfeccionismo assombrosos. A fluidez com que os desenhos se sucedem são uma das razões porque parece que estamos a ver um filme. Nas pranchas que aqui reproduzo (e que não têm os textos da versão final) podem constatar-se a atmosfera, o brilho e o rigor narrativo que compõem a obra. Acaba por ser um storyboard tão perfeito que só lhe falta o movimento para ser um fantástico filme de animação.

O uso da cor é tão bem feito que vai variando consoante a tensão de determinada cena. Mais coloridas (na pizzaria, no night club), mais cinzentas (no orfanato, nos esgotos) ou mais ‘infernal’ (no antro nazi), Villa define ambientes, como um bom director de fotografia usa a luz, para provocar emoção no espectador.

Além de uma estória muito bem imaginada, o guião tem também um humor muito característico dos trabalhos anteriores do Filipe Melo, quer nas deixas certeiras e corrosivas, quer na forma como subtilmente povoa a narrativa com referências dispares que aqui assumem uma homogeneidade surpreendente. O sobrenatural é um elemento preponderante na estória, mas com uma utilização tão simples que se torna natural. Essa era outra característica do cinema dos anos 80, presente por exemplo no vídeoclip de “Thriller“, de Michael Jackson (não é por acaso que o prefácio do livro é assinado pelo seu realizador, John Landis).

Um último comentário para a forma como Lisboa se torna personagem no livro. Aparece surpreendentemente reinventada por olhos que nunca cá tinham estado, o que faz com que algumas perspectivas surjam frescas, renovadas, como se nós que a conhecemos tão bem a estivéssemos a descobrir pela primeira vez. Sim, eu sei que são desenhos, não estou a ficar maluco, mas este universo é tão cativante que logo nos embrenhamos nele, e  o nosso subconsciente torna-o assustadoramente real.

“As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy” é mais um tiro certeiro da “O Pato Profissional”. Dizer que é pena isto não ter resultado em filme, é um exagero, tanto é o cinema que existe nestas páginas, mas fica o desejo de um dia podermos ver isto noutra escala. Para já, anseio por novo volume. E outro, e outro… Há aqui tanto e tão bom material que poderemos usufruir da companhia destas personagens por muito e bom tempo. Visitem o site oficial da produtora, comprem o livro e deliciem-se com esta fantástica aventura. E venham mais…

Classificação: 5/5

ed. Tinta da China, 2010

{ 7 Comentários… read them below or adicione um }

vigilant Abril 7, 2010 às 00:13

BD “As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy”

Making of
http://www.youtube.com/watch?v=m5h-z_ZF3Qs

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=P_5UbihfM0c

Entrevista Filipe Melo
http://videos.sapo.pt/b4h9TJ1uBzNjfEPNSmv5

Site Dog/Pizzzaboy
http://dogpizzaboy.altograu.com

Blog/Notícias
http://dog-pizzaboy.blogspot.com

E que venha o segundo volume! (Apocalipse) 😉

Responder

Luis Pires Abril 7, 2010 às 19:00

Mas que livro sensacional, nunca tinha ouvido falar, mas agora não sossego enquanto não ler!

Responder

vigilant Abril 7, 2010 às 21:47

Making of AS INCRÍVEIS AVENTURAS DE DOG MENDONÇA E PIZZABOY, realizado por Bruno Canas e som de Cristovão Carvalho na SIC RADICAL: – Estreia sábado 10 abril, 16h; – Repete terça 13 abril, a partir das 23h30, sexta 21h10 e domingo 18 abril pelas 24h00

Apresentações/Sessões autografos em Abril

Fundão, dia 15 de Abril às 15:00 – Moagem, cidade do Engenho e das Artes – Organização: Cine Clube Gardunha 3ª edição do Metal Horror Picture Show;

Mangualde, dia 16 de Abril às 10:30 – Biblioteca de Mangualde – Organização: Cine Clube de Viseu;

Évora, dia 21 de Abril às 16h – Sala de Docentes da Universidade de Évora (organizada pela Profª Maria Antónia Lima) e sessão de autógrafos às 21:30 no Auditório Soror Mariana (organização FIKE).

É a loucura meus caros amigos! 😀

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Nuno Rodrigues Abril 23, 2010 às 21:46

Muito bom! Recomendo vivamente.

Responder

Lobo Antunes Abril 24, 2010 às 23:00

Uma excelente Banda Desenhada de um nível sem igual em território Luso. O universo criado juntamente com o aspecto visual dão-nos acesso a um mundo sem igual. Excelente trabalho a todos os envolvidos e esperamos que venha mais.

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Rita Vasconcellos Março 9, 2011 às 14:51

Não conhecia
Passei a conhecer
Gostei imenso
Obrigada

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Pedro Afonso Março 9, 2011 às 14:58

De nada, é para isso que cá estou. Obrigado eu.

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