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“Sacanas Sem Lei” – O Veredicto.

em: 2009/10/12 | por: | em: Cinema, Crítica | 2 comentários em “Sacanas Sem Lei” – O Veredicto. | lido: 4.586 vezes

Antes de mais nada, duas considerações: Quentin Tarantino é um dos meus realizadores preferidos e considero-o um dos grandes artistas da sétima arte actualmente em actividade e, consideração número dois, “Sacanas Sem Lei” é provavelmente o seu melhor filme. Sim, eu sei que da sua filmografia fazem parte títulos como “Cães Danados“, “Pulp Fiction” ou “Kill Bill“, mas nenhum dos filmes anteriores têm o grau de perfeccionismo, criatividade (sim, é preciso criatividade para copiar ou reutilizar referências artísticas da forma como o faz), loucura e liberdades artística, histórica e cultural como este.

“Sacanas Sem Lei” cruza duas estórias distintas: A de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), única sobrevivente de uma família de Judeus assassinada pelo Coronel Nazi Hans Landa (Christoph Waltz), e a dos Sacanas, liderados pelo Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), cuja missão em terras Francesas sob ocupação Nazi é matar violentamente o maior número possível de Alemães e criar o terror nas forças de Hitler. Quando a oportunidade surge, os seus planos para derrubar o III Reich,  acabar com a 2ª Guerra Mundial e obter vingança cruzam-se, num arraial de extrema violência.

A premissa parece feita à medida para Tarantino nos dar mais um filme de tiradas rápidas, acção a rodos, violência calculada, diálogos divertidos e inconsequentes e tudo o mais a que já nos habitou, e os trailers prometem isso mesmo. Acontece que o filme não é nada disto. “Sacanas Sem Lei” é um filme lento, ponteado pela acção e violência necessárias, cujos diálogos são aparentemente inconsequentes mas absolutamente indispensáveis, em que tudo tem duplo significado, sem nunca perder o rumo e o objectivo da trama e onde, apesar do ritmo lento, o espectador não tem tempo para digerir tudo o que lhe é mostrado, tal é a complexidade do argumento de Tarantino. O maior trunfo do filme é não ser nada daquilo que estamos à espera, pecado capital para aqueles que não gostam de ser apanhados de surpresa.

Ao contrário de tudo o que é esperado, o filme começa com uma cena de 20 minutos em que duas pessoas estão sentadas a uma mesa a conversar. Para já, digo que são 20 minutos porque foi o que li em todo o lado. A mim, não me pareceu ter mais de 10, e quando um diálogo parece ter metade do tempo que tem, é porque é realmente muito bom. E é bom não só pelo guião e realização (que, se houver justiça, serão estudados em todas as escolas de cinema no mundo), mas pelos actores que Tarantino incumbiu da difícil tarefa de nos prender desta forma: Denis Menochet, actor Francês pouco conhecido internacionalmente (até agora), e Christoph Waltz, que surpreendeu tudo e todos (menos aqueles que já tinham visto o filme) ao vencer o prémio para melhor actor no festival de Cannes. Aos inconfortáveis silêncios do primeiro (brilhante na submissão), opõe-se o brio do segundo. Waltz é absolutamente genial em cada sílaba (seja em que lingua for) e cada gesto. Cada minuto no ecrã é uma viagem inesquecível aos lugares mais obscuros da mente humana. O seu Coronel Hans Landa é aterrador, profissional, esforçado, competente, orgulhoso e irrepreensível e é, verdadeiramente, o personagem principal do filme.

E é aqui que entra a surpresa menos boa do filme: Brad Pitt. Não só a sua personagem é pouco interessante (não se percebe a sua motivação, o seu passado, a sua cicatriz…), como ele a interpreta como se estivesse num animado serão em casa de amigos, relaxado e em tom de brincadeira. No entanto, é ele que dá a cara pelo filme, quando o filme não precisa dessa jogada de marketing. Ou precisa? Provavelmente sim, uma vez que muitos espectadores perderiam o interesse em vê-lo e passariam ao lado de um dos melhores filmes dos últimos anos. É portanto um mal necessário e compreensível. No entanto, Pitt sabe, a partir de determinada altura, pôr a fanfarronice de lado e terminar o filme em glória.

Quanto a Mélanie Laurent, é outra agradável surpresa. De uma consistência e emoção irrepreensíveis, oscila entre o deslumbrante e o atormentado, fornecendo à personagem a amplitude de registo que ela necessita. É ela que tem o passado mais presente e cujas motivações são de mais fácil identificação. É do lado dela que estamos e ela faz por merecê-lo. Quanto ao restante elenco, Não há muito a dizer. Todos cumprem a sua missão, havendo contudo alguns casos a registar: Eli Roth, que não é actor, não se saí mal. Sendo o mais violento e impiedoso dos sacanas, a sua frieza e pouco à vontade servem bem o personagem. Do lado Nazi, Martin Wuttke e Sylvester Groth (Hittler e Goebbles) são excelentes, com personagens que todos conhecemos mas às quais souberem dar a necessária frescura. Daniel Brühl, no papel do herói de guerra que ascende a figura panfletária do Regime, cumpre sem surpreender. E Diane Kruger, que teve de convencer Tarantino a confiar-lhe  o papel de renegada Nazi que ajuda a derrubar o Regime, é espantosa na sua criação. A cena do bar (outra de antologia), em que tem de fazer jogo duplo apanhada entre Nazis e Sacanas, é um excelente exemplo disso.

E quanto a Tarantino? O homem atingiu a perfeição no aperfeiçoamento de um estilo que mais não é do que baralhar e voltar a dar. Depois dos filmes de gangsters (e assaltos), artes marciais, western-spagetti e série B volta-se agora para o filme de Guerra. Mas, “Inglorious Basterds” é um falso filme de guerra. Aliás, está mais próximo do Western clássico do que de qualquer outro género. E há várias provas disso ao longo de todo o filme: O plano de Shossanna a fugir de Landa no final da sequência inicial é John Ford puro (a visão de dentro para fora através da porta aberta é decalcada de “A Desaparecida“); A sequência do bar é filmada como se se tratasse de um saloon; Os escalpes que os Sacanas retiram aos Nazis e a forma como Shossana se começa a maquilhar para a grande noite (alusão clara às pinturas de guerra dos índios), sugerem uma aproximação clara e descarada aos Nativos Americanos. Só que Tarantino inverte os factores e os rituais bárbaros estão do lado dos bons, talvez sugerindo que sempre estiveram e os índios foram injustiçados na grande maioria dos Westerns Americanos. E não é só em termos cinematográficos que Tarantino tenta repor justiça. Também o faz (de forma provocatória, anárquica e descomplexada) em termos históricos (não posso dizer porquê sem revelar o final, mas quem já viu o filme sabe do que estou a falar). Aliás, comparando este e outro filme recente sobre a 2ª Grande Guerra, “Valquíria“, percebemos que isso foi factor determinante para o segundo fracassar. Faltou-lhe o arrojo e a inteligência para surpreender o espectador como Tarantino faz aqui. Nos tempos que correm este atrevimento é meritório e de salutar.

Tarantino consegue ainda fazer de “Sacanas Sem Lei” o seu “Cinema Paraíso”. A queda do III Reich é planeada para um cinema onde será exibido o último filme-propaganda Nazi (ver making of abaixo), um dos heróis nessa sequência é um crítico de cinema e é o próprio celulóide que será o comburente para a propagação das chamas que o consumirá. Toda a sequência é mais uma que, apesar de demorar tempo a desenvolver (e tem de ser, tantos são os intervenientes, acontecimentos simultâneos e locais), é tão complexa e bem desenvolvida e executada que ficará certamente na história do cinema. Como o próprio filme, aliás. Tudo aqui funciona, e há tantas referências, pormenores e dedicatórias que é impossível falar de tudo nesta crítica (poderemos usar os comentários para o fazer, se assim o desejarem).

Resumindo, Tarantino atinge aqui a maioridade artística, num projecto que tinha tudo para fracassar, mas resulta num entretenimento inteligente, culto, primorosamente executado. Acaba por ser o triunfo da personalidade sobre o pretensiosismo (e ainda há quem os confunda). Todos os elementos do seu cinema estão presentes (banda sonora revivalista, fotografia expressiva, montagem primorosa, etc.), mas com mais expressão, intencionalidade, arrojo e atrevimento do que nunca. É seguramente, e apesar de uma ou outra pequena falha, um dos melhores filmes do ano.

Classificação: 5/5

{ 2 Comentários… read them below or adicione um }

jose miguel ramos Novembro 17, 2010 às 19:08

este filme foi so um pouco daquilo que foi a segunda grande guerra ,ou seja o exterminio do povo nazi durante a sua perseguiçao em que foram mortos ha volta se seis milhoes de judeus e foram militares americanos a maioria que consegiu libertalos dos nazis !

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Nicolau Janeiro 20, 2015 às 21:52

“Filme” de merda americana misturado com mentiras satânicas e vomito de ódio anti-alemão! Um verdadeiro Lixo Mundial da “coltura” americana!

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